Sobre Riscos & Rabiscos

Escorpiana reservada, que adora observar a alma através do olhar.

A chuva lá fora

Nessa madrugada
Escuto o vento frio e os pingos gelados da chuva
Que banham o mundo lá fora;
Enquanto, aqui, nesse quarto pouco iluminado
Processo pensamentos loucos e trançados
Que minha sábia consciência
Não consegue ordená-los…

Agora a chuva aumenta!
E pelo som que escuto dos pingos solitários
Que insistem em trazer amparo
Relembro que, nesse instante, apenas queria colo
Aquele que é acolhedor e materno
No qual pudesse apenas me encolher
Me aquecer e me proteger…
De quê? Não sei…
Apenas queria me proteger…

Mas mesmo assim me pergunto:
Será que são as lágrimas minhas que agora caem?
Só que de uma forma diferente do convencional?
Ou será que é o mundo que chora
Pela decisão que tenho que tomar?

Mais uma vez são apenas perguntas
Que não querem e não conseguem calar
Relutam para serem respondidas…
Mas mesmo assim, a chuva lá fora
Continua a chorar…

(Bévea Kikunaga)

A saudade que fica

rosaDepois de uma semana passada
Com a ferida ainda exposta
Luto e reluto, mas não encontro resposta
Como pôde partir, mãezinha amada?

A saudade ainda queima
Vem através do pensamento
Que insiste e não contenta
Em esmagar mais meu sentimento.

Que carregada de esperança
Choro que nem criança
Pela saudade deixada
Dessa dor, no peito, abandonada.

Não sei o que acontece
Toda vez que anoitece
Meu coração bate forte
Pela saudade que ainda morde
Do futuro imaginado
Desta vez desmoronado.

A saudade que corta por dentro
Arde feito tocha, mas não passa com o vento
Do abraço carinhoso que conforta
Não importa de quem seja
Por incrível que pareça
É o que me ajuda a seguir em frente.

(Bévea Kikunaga)

* Poema escrito após a grande perda da minha vida até o momento. Foi em 08 de dezembro de 1999 que minha mãe deixou de estar fisicamente ao meu lado, deixando alguns conhecimentos, alguns sorrisos, algumas essências e muita saudade.

Nessa imensidão

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Nessa imensidão de mar sem fim
Que se encontra à minha frente
Observo cada movimento e cor
Para no futuro lembrar visualmente.

O som das ondas me relaxa
Procuro guardar bem essa melodia
Da onda, do vento e da brisa
Que com certeza vou lembrar um dia.

Agora, sei que o paraíso existe
Está bem agora diante dos meus olhos
A beleza do mar me sensibiliza
Principalmente quando a água do mar a areia desliza.

(Bévea Kikunaga)

À uma amiga querida

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Você não sabe exatamente o quanto gosta de uma pessoa
Até o momento em que ela precisa partir
A saudade então já machuca e como um poço sem fundo ecoa
Agora já não adianta (nem se consegue) tentar sorrir…

Tem certas coisas na vida
Que acredito serem incompreensíveis
Mas como na vida não existe “por acaso”
Existe apenas “idas e vindas”
Prefiro achar que existem caminhos alternativos
E que a amizade conquistada
Apenas deve ser preservada…

(Bévea Kikunaga)

A chuva lá fora

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Escuto o vento frio e os pingos gelados da chuva
Que banham o mundo lá fora;
Enquanto, aqui, nesse quarto pouco iluminado
Processo pensamentos loucos e trançados
Que minha sábia consciência
Não consegue ordená-los…

Agora a chuva aumenta!
E pelo som que escuto dos pingos solitários
Que insistem em trazer amparo
Relembro que, nesse instante, apenas queria colo
Aquele que é acolhedor e materno
No qual pudesse apenas me encolher
Me aquecer e me proteger…
De quê? Não sei…
Apenas queria me proteger…

Mas mesmo assim me pergunto:
Será que são as lágrimas minhas que agora caem?
Só que de uma forma diferente do convencional?
Ou será que é o mundo que chora
Pela decisão que tenho que tomar?

Mais uma vez são apenas perguntas
Que não querem e não conseguem calar
Relutam para serem respondidas…
Mas mesmo assim, a chuva lá fora
Continua a chorar…

(Bévea Kikunaga)

Saudade – Um tempo que paramos para pensar nisso

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Somente quando acontece um imprevisto, fato mais que previsto definido desde que nascemos, é que paramos para relembrar, refletir ou sentir o que realmente nos faz viver.

São pequenos fatos, lembranças, pensamentos do tipo “e se…” ou “deveria ter feito isso ou aquilo…”, que paramos num breve momento de algumas horas para calibrar nossas vidas, nosso modo de pensar ou enxergar as coisas.

Momento de reflexão longe da rotina diária dos enormes afazeres de nossas vidas, que propomos a nós mesmos, uma mudança no dia-a-dia, porém, ao voltar para a vida real, depois dessa reflexão, o vício retorna e as novas promessas caem no esquecimento.

Até que novamente um imprevisto previsto aconteça.

(Bévea Kikunaga)

No meio do dia

Menina com planta na mão

Mesmo que o tempo insista em dizer que passou,
Meus sentimentos por você sempre estão presentes…
Seja em um pequeno gesto,
Ou mesmo em uma canção do Elvis.

A verdade é que sempre estarás presente em minha vida, de uma forma ou de outra
Mostrando-me alguma forma de seguir em frente!
Tudo parece fazer sentido, quando a vida, às vezes, mostra que nada faz muito sentido
Uma contradição realmente sensível e arrebatadora.

Mesmo assim, a vida continua lá fora, de uma forma ou de outra,
As pessoas continuam individualistas, os pássaros continuam a cantar logo cedo,
Os carros passam apressados e o tempo não para!

Os sonhos continuam, mesmo quando eles mudam um pouco a perspectiva de anos atrás,
As recordações adormecem de repente
As palavras se vão com o tempo
Mal me lembro da sua voz!

Mas ainda assim, alguns pequenos gestos estão bem presentes
E surgem do nada, como amparos, no meio do dia para me afagar, fazer um carinho,  Então, suspiro fundo, acalmo a mente e dessa forma, mais uma vez, sigo em frente!

(Bévea Kikunaga)