A saudade que fica

rosaDepois de uma semana passada
Com a ferida ainda exposta
Luto e reluto, mas não encontro resposta
Como pôde partir, mãezinha amada?

A saudade ainda queima
Vem através do pensamento
Que insiste e não contenta
Em esmagar mais meu sentimento.

Que carregada de esperança
Choro que nem criança
Pela saudade deixada
Dessa dor, no peito, abandonada.

Não sei o que acontece
Toda vez que anoitece
Meu coração bate forte
Pela saudade que ainda morde
Do futuro imaginado
Desta vez desmoronado.

A saudade que corta por dentro
Arde feito tocha, mas não passa com o vento
Do abraço carinhoso que conforta
Não importa de quem seja
Por incrível que pareça
É o que me ajuda a seguir em frente.

(Bévea Kikunaga)

* Poema escrito após a grande perda da minha vida até o momento. Foi em 08 de dezembro de 1999 que minha mãe deixou de estar fisicamente ao meu lado, deixando alguns conhecimentos, alguns sorrisos, algumas essências e muita saudade.

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Nessa imensidão

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Nessa imensidão de mar sem fim
Que se encontra à minha frente
Observo cada movimento e cor
Para no futuro lembrar visualmente.

O som das ondas me relaxa
Procuro guardar bem essa melodia
Da onda, do vento e da brisa
Que com certeza vou lembrar um dia.

Agora, sei que o paraíso existe
Está bem agora diante dos meus olhos
A beleza do mar me sensibiliza
Principalmente quando a água do mar a areia desliza.

(Bévea Kikunaga)

A chuva lá fora

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Escuto o vento frio e os pingos gelados da chuva
Que banham o mundo lá fora;
Enquanto, aqui, nesse quarto pouco iluminado
Processo pensamentos loucos e trançados
Que minha sábia consciência
Não consegue ordená-los…

Agora a chuva aumenta!
E pelo som que escuto dos pingos solitários
Que insistem em trazer amparo
Relembro que, nesse instante, apenas queria colo
Aquele que é acolhedor e materno
No qual pudesse apenas me encolher
Me aquecer e me proteger…
De quê? Não sei…
Apenas queria me proteger…

Mas mesmo assim me pergunto:
Será que são as lágrimas minhas que agora caem?
Só que de uma forma diferente do convencional?
Ou será que é o mundo que chora
Pela decisão que tenho que tomar?

Mais uma vez são apenas perguntas
Que não querem e não conseguem calar
Relutam para serem respondidas…
Mas mesmo assim, a chuva lá fora
Continua a chorar…

(Bévea Kikunaga)

Saudade – Um tempo que paramos para pensar nisso

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Somente quando acontece um imprevisto, fato mais que previsto definido desde que nascemos, é que paramos para relembrar, refletir ou sentir o que realmente nos faz viver.

São pequenos fatos, lembranças, pensamentos do tipo “e se…” ou “deveria ter feito isso ou aquilo…”, que paramos num breve momento de algumas horas para calibrar nossas vidas, nosso modo de pensar ou enxergar as coisas.

Momento de reflexão longe da rotina diária dos enormes afazeres de nossas vidas, que propomos a nós mesmos, uma mudança no dia-a-dia, porém, ao voltar para a vida real, depois dessa reflexão, o vício retorna e as novas promessas caem no esquecimento.

Até que novamente um imprevisto previsto aconteça.

(Bévea Kikunaga)

No meio do dia

Menina com planta na mão

Mesmo que o tempo insista em dizer que passou,
Meus sentimentos por você sempre estão presentes…
Seja em um pequeno gesto,
Ou mesmo em uma canção do Elvis.

A verdade é que sempre estarás presente em minha vida, de uma forma ou de outra
Mostrando-me alguma forma de seguir em frente!
Tudo parece fazer sentido, quando a vida, às vezes, mostra que nada faz muito sentido
Uma contradição realmente sensível e arrebatadora.

Mesmo assim, a vida continua lá fora, de uma forma ou de outra,
As pessoas continuam individualistas, os pássaros continuam a cantar logo cedo,
Os carros passam apressados e o tempo não para!

Os sonhos continuam, mesmo quando eles mudam um pouco a perspectiva de anos atrás,
As recordações adormecem de repente
As palavras se vão com o tempo
Mal me lembro da sua voz!

Mas ainda assim, alguns pequenos gestos estão bem presentes
E surgem do nada, como amparos, no meio do dia para me afagar, fazer um carinho,  Então, suspiro fundo, acalmo a mente e dessa forma, mais uma vez, sigo em frente!

(Bévea Kikunaga)

Momentos ao seu lado

Aqueles momentos ao seu lado
Pareciam mais dádivas do que algo errado
Salvo de qualquer crítica ou respaldo
Importava apenas me sentir amado.

Seu olhar profundo e persistente
Ao mesmo tempo, insinuante e intocável
Atiçava ainda mais meus instintos
Rebeldes e acatados.

Sentir o toque da sua pele na minha,
A sua respiração ofegante
Ansiando um beijo sufocante
E suas pernas trançando as minhas.

Queria apenas esquecer o mundo lá fora
E esquecia…
Queria apenas renovar meu fôlego cansado
E com você, conseguia!

Assim eram nossos dias
Assim eram nossos desejos
Reprimidos e explorados
Desejados e consumidos.

Assim, era eu e você
Assim, éramos
Assim, somos você e eu
Assim, ainda somos!

(Bévea Kikunaga)

Lara & Filó

Gatas em coraçao

Somos assim, uma de cada cor:

Lara de Laranja, que era amarela
De macho virou fêmea
De orelhuda quando pequena, ficou brava depois de grande!

Filó de Filomena
Herdou o nome da mãe de criação
Antes uma estranha, agora sua mãe de coração!

Uma chegou em uma caixa, com outra da mesma raça
Porém, de estilo diferente, miava, e como miava: – Miu, miu, miu!!!
De sapeca corria desengonçada, subia nos móveis, cortinas e janelas
Mas na hora de comer, se contentava em ser a segunda, já que a Luna era na verdade quem mandava!

Antes mesmo de quatro meses, no cio a Lara já berrava
Subia as escadas e descia em uma verdadeira batalha.
Às pressas em uma consulta foi encaminhada
E em uma operação foi inclinada!

Por tabela, a Luna a primogênita que mandava
No mesmo caminho foi levada.
Porém uma trágica notícia nos fora anunciada:
Luna não resistiu, mais frágil ela era
E assim se foi para o céu de gatinhos e nos deixou desconsoladas.

Lara agora sozinha reinava
Na casa pequena que se tornara gigante, ficara
Até que uma noite “enchuvarada” chegara
A mais nova moradora se apresentava.

E foi assim que a Filó chegou…
À noite no meio da chuva no estacionamento
Chorando e molhada para dentro da casa foi colocada.

Mas de madrugada uma coisa estranha aconteceu…
Depois de alimentada e aconchegada
Resolveu procurar os filhotes que lhe foram roubados
E da casa quentinha e aclamada foi embora…

Mas qual não foi a surpresa
Quando de madrugada no meio das casas
Surgiu um miado tão forte quanto um rugido
De tão estrondoso que não parecia um ruído
Nos acordou e novamente demos abrigo
Para aquela gata miúda e sem sigilo.

Da convivência, as duas agora irmãs
Brigam, se olham e até dividem a comida no mesmo prato
Acabam por dividir o mesmo teto.

Agora a Lara é a mandona, soberana.
A Filó a que enaltece o que a outra faz.
Assim elas convivem na mesma casa.
Assim elas dividem o mesmo lar!

(Bévea Kikunaga)