No meio do dia

Menina com planta na mão

Mesmo que o tempo insista em dizer que passou,
Meus sentimentos por você sempre estão presentes…
Seja em um pequeno gesto,
Ou mesmo em uma canção do Elvis.

A verdade é que sempre estarás presente em minha vida, de uma forma ou de outra
Mostrando-me alguma forma de seguir em frente!
Tudo parece fazer sentido, quando a vida, às vezes, mostra que nada faz muito sentido
Uma contradição realmente sensível e arrebatadora.

Mesmo assim, a vida continua lá fora, de uma forma ou de outra,
As pessoas continuam individualistas, os pássaros continuam a cantar logo cedo,
Os carros passam apressados e o tempo não para!

Os sonhos continuam, mesmo quando eles mudam um pouco a perspectiva de anos atrás,
As recordações adormecem de repente
As palavras se vão com o tempo
Mal me lembro da sua voz!

Mas ainda assim, alguns pequenos gestos estão bem presentes
E surgem do nada, como amparos, no meio do dia para me afagar, fazer um carinho,  Então, suspiro fundo, acalmo a mente e dessa forma, mais uma vez, sigo em frente!

(Bévea Kikunaga)

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Momentos ao seu lado

Aqueles momentos ao seu lado
Pareciam mais dádivas do que algo errado
Salvo de qualquer crítica ou respaldo
Importava apenas me sentir amado.

Seu olhar profundo e persistente
Ao mesmo tempo, insinuante e intocável
Atiçava ainda mais meus instintos
Rebeldes e acatados.

Sentir o toque da sua pele na minha,
A sua respiração ofegante
Ansiando um beijo sufocante
E suas pernas trançando as minhas.

Queria apenas esquecer o mundo lá fora
E esquecia…
Queria apenas renovar meu fôlego cansado
E com você, conseguia!

Assim eram nossos dias
Assim eram nossos desejos
Reprimidos e explorados
Desejados e consumidos.

Assim, era eu e você
Assim, éramos
Assim, somos você e eu
Assim, ainda somos!

(Bévea Kikunaga)

Lara & Filó

Gatas em coraçao

Somos assim, uma de cada cor:

Lara de Laranja, que era amarela
De macho virou fêmea
De orelhuda quando pequena, ficou brava depois de grande!

Filó de Filomena
Herdou o nome da mãe de criação
Antes uma estranha, agora sua mãe de coração!

Uma chegou em uma caixa, com outra da mesma raça
Porém, de estilo diferente, miava, e como miava: – Miu, miu, miu!!!
De sapeca corria desengonçada, subia nos móveis, cortinas e janelas
Mas na hora de comer, se contentava em ser a segunda, já que a Luna era na verdade quem mandava!

Antes mesmo de quatro meses, no cio a Lara já berrava
Subia as escadas e descia em uma verdadeira batalha.
Às pressas em uma consulta foi encaminhada
E em uma operação foi inclinada!

Por tabela, a Luna a primogênita que mandava
No mesmo caminho foi levada.
Porém uma trágica notícia nos fora anunciada:
Luna não resistiu, mais frágil ela era
E assim se foi para o céu de gatinhos e nos deixou desconsoladas.

Lara agora sozinha reinava
Na casa pequena que se tornara gigante, ficara
Até que uma noite “enchuvarada” chegara
A mais nova moradora se apresentava.

E foi assim que a Filó chegou…
À noite no meio da chuva no estacionamento
Chorando e molhada para dentro da casa foi colocada.

Mas de madrugada uma coisa estranha aconteceu…
Depois de alimentada e aconchegada
Resolveu procurar os filhotes que lhe foram roubados
E da casa quentinha e aclamada foi embora…

Mas qual não foi a surpresa
Quando de madrugada no meio das casas
Surgiu um miado tão forte quanto um rugido
De tão estrondoso que não parecia um ruído
Nos acordou e novamente demos abrigo
Para aquela gata miúda e sem sigilo.

Da convivência, as duas agora irmãs
Brigam, se olham e até dividem a comida no mesmo prato
Acabam por dividir o mesmo teto.

Agora a Lara é a mandona, soberana.
A Filó a que enaltece o que a outra faz.
Assim elas convivem na mesma casa.
Assim elas dividem o mesmo lar!

(Bévea Kikunaga)

Pálida à Luz

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Pálida à luz da lâmpada sombria
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando
Não te rias de mim, meu anjo lindo!

Por ti — as noites eu velei chorando,
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!

(Álvares de Azevedo)

No seu olhar

 No seu olhar

A magia do coração
Segue sem rumo
E sem direção.
No seu olhar
Que é um poço de emoção,
E muitos, aos poucos,
Mergulha nessa ilusão.
No seu olhar
Reina viva a paixão
Muitos gostariam de estar no seu lugar
Só para não ter que conviver com a solidão!

(Bévea Kikunaga)